Tenho saudades do meu avô!
Vejo-o a passear no seu tractor verde de caixa laranja, com a minha avó sentada em cima das vides...
Tenho saudades do "cachopita", das suas histórias e do seu sorriso!
Ele gostava quando eu ia ter com ele só para lhe dar beijinhos... A sua boina, as nêsperas!
Sentados toda a tarde na paragem do autocarro a apanhar a sombrinha de uma tarde de verão, ou na eira... debaixo da imponente nespereira que nos encheu tanta vez a boca de sabor!
A esgravelhar o milho, a seixar batatas, a passear as cabras, a vindimar ou a apanhar azeitonas, o meu avô andava sempre bem disposto e a brincar!
Todo o orgulho do mundo enche o meu coração. A agricultura é manchou-lhes a pele, escavacou-lhes os ossos, mas o prazer de viver era infindável!
À lareira a jantar ou no alpendre nas noites de verão... Sentado no poço a comer um pêssego cortado com a sua desgasta navalha!
O meu avô Toino, o meu avô André, a minha avó Deolinda... Os meus ancestrais de amor, os meus ancestrais de sabedoria da vida, da terra...
São os meus anjinhos da guarda a olhar por mim todos os dias...
A saudade não me vence porque dentro de mim eles estão sempre vivos e a sorrir...
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